Vencendo
na Quebrada

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Ele apareceu na esquina. Estava na quebrada. As feições, de medo. Ofegava pois havia corrido desabaladamente pelo menos por meia hora pelas suas contas. De quem corria senão do Fantasma. Traficante da pesada que não gostava muito de alcaguete que nem ele. Só porque ele contou à Rosinha do Baloeiro que tinha flagrado a irmã de Fantasma com um figurão da tevê. Língua maldita! Sempre ela trazendo a discórdia, a raiva, a vingança, a morte. Não deveria ter falado mas já era. Rosinha não se segurou, pequena víbora! Raiva que ficar o quê, tirou o foco. Foi para uma balada logo à noite e pegou a gostosa da Lurdinha. Ficou no bembão com ela por várias horas. Que mané esquentar os miolos para qualquer coisa. Sem fritura, e sem frescura também. O mundo era tudo aquilo que já sabia, cheio de armadilhas. O perigo chegava perto, era excitante. Ele correu mais um pouco. Precaução de mãos dadas com o temor. Entendia que tinha uma grande oportunidade de escapar e mudar de vida. Isso era possível. Quem o quereria mudado se se acostumaram com ele assim mesmo? Ele mesmo, respondeu.

Era assim mesmo a sua busca. Ficava aqui e ali com uma mina e depois tchau! Não tinha essa de ficar mais do que o tempo de tirar o atraso, que, na verdade, nem era muito assim. Mundo cão que nada; tinha muita alopração! Se não fosse divertido, não teria graça apesar da redundância. Ele só queria poder rir, gozar, divertir-se.