Felipe Moreno

Vencendo na Quebrada

Ele não tinha futuro, estava à toa na vida e vivia para seus prazeres e no tráfico. Mas até que tomou uma surra do bando rival e entrou e saiu de um coma que durou anos. Eis a história...

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Ele apareceu no beco. Estava na quebrada. As feições amedrontadas.

Ofegava, pois havia corrido pelo menos por meia hora pelas suas contas.

Corria do Fantasma, braço direito do Caolho, traficante da pesada.

Só porque ele contou à Rosinha do Baloeiro que tinha flagrado a irmã de Fantasma com um figurão da tevê.

Língua maldita!

Sempre ela trazendo a discórdia, a raiva, a vingança, a morte. Que nem na novela da tevê. Não deveria ter falado mas já era. Falou. Rosinha não se segurou, pequena víbora, e aí já viu!

Raiva que ficar o quê!

Botou a raiva na lixeira. Tirou o foco e foi para a balada logo à noite e pegou a gostosa da Lurdinha. Ficou no bembão com ela por várias horas. Que mané esquentar os miolos para qualquer coisa. Sem fritura e sem frescura também.

A adrenalina voltando a subir...

O mundo era tudo aquilo que ele já sabia, cheio de armadilhas. O perigo chegava perto, era excitante. Ele correu mais um pouco. Precaução de mãos dadas com o temor. Entendia que tinha uma grande oportunidade de escapar e mudar de vida. Isso era possível. Mas quem o quereria mudado se se acostumaram com ele assim mesmo? Ele mesmo, respondeu.

Era assim mesmo a sua busca

Ficava aqui e ali com uma mina e depois tchau! Não tinha essa de ficar mais do que o tempo de tirar o atraso, que, na verdade, nem era muito tempo assim. Mundo cão que nada; tinha muita alopração! Se não fosse divertido, não teria graça apesar da redundância. Ele só queria poder rir, gozar, divertir-se. E tchau!